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Sobre vidas paralelas: Grace Kelly

Domingo, 17.01.10

 

Hoje senti pela primeira vez a antecipação da primavera. A deste ano, ainda não é a tal primavera. Mas quem sabe, teremos de ser nós a inventar a nossa primavera. O sol apareceu, primeiro timidamente, mas agora inunda tudo, numa luz muito branca.

O que tem isto a ver com o título do post? Tudo.

O que nos leva a determinadas escolhas nas nossas vidas? Escolhas que determinam a sequência do nosso filme e, por vezes, de forma assim definitiva?

Nunca aderi à noção de destino ou pré-determinação genética (se bem que alguns estudos de gémeos idênticos sejam verdadeiramente impressionantes), mas há tendências para esta ou aquela opção de vida, para a tristeza ou para a alegria, para a auto-preservação ou para a auto-destruição, até para a alienação, a fuga.

 

Pensei em Grace Kelly porque a vi ontem, num filme não muito interessante, mas ainda assim com cenas de uma força emotiva impressionante: The Country Girl. Habituados a vê-la sempre elegante, impecavelmente vestida, numa pose perfeita, ficamos surpreendidos por vê-la aqui mal vestida, como se isso fosse impossível. Grace Kelly conseguiu ser convincente neste filme na pele da mulher leal de um alcoólico a tentar pôr-se novamente de pé. Para minha grande surpresa, escolhe ficar, apesar de se ter apaixonado pelo homem que lhe salvara o marido da decadência inevitável. E que par teriam feito Grace Kelly e William Holden...

Também convincente na cena em que vai esperar o marido ao teatro e pisa o palco: Consigo entender a magia de um teatro vazio... Não pude deixar de imaginar o que teria pensado Grace Kelly, muitos anos depois, ao ver-se privada do palco, do teatro, do Cinema... nessa prisão dourada que foi a sua vida como princesa do Mónaco. Teria lamentado a sua escolha determinante?

Se pensarmos nas possibilidades que se lhe abriam como actriz naquela época, esse papel de princesa, que assumiu na perfeição, não a podia preencher. O mundo fechado desse pequeno principado e a artificialidade desses rituais, não condiziam com a autenticidade das emoções da representação... por isso aquela sua frase no palco me impressionou tanto...

O seu olhar já não é o mesmo, mesmo nas épocas mais felizes, nessas fotografias de família em jardins bem arrumados. Não sei se lamentou essa escolha definitiva, mas tenho quase a certeza que sentiu a falta dessa respiração do Cinema, dessa magia do palco, dos colegas, dos amigos, da vida cultural americana...

 

Conheci na minha vida esse embaciar do olhar, a desistência dos sonhos, e digo-vos, é o pior que pode acontecer a alguém, perder a paixão. Seja pelo que for, mas não deixem morrer a paixão nas vossas vidas!

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:47

...

Segunda-feira, 04.01.10

 

 

Sacudi meses, anos

décadas de esquecimento

do essencial

 

Estiquei as articulações até ao limite

experimentei os músculos um pouco flácidos

 

Ah, uma corrida para treinar a alma!

para desafiar os sonhos essenciais

essa claridade que primeiro vi

na escalada de outras montanhas

 

Recuperar a agilidade mental e filosófica

a alegria poética!

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:39

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Sexta-feira, 10.07.09

 

 

Dias de sol como desertos

daqueles dos filmes

com planícies intermináveis

 

Gostaríamos de adormecer

em dias assim

à sombra de uma árvore solitária

 

O que fizeste aos teus sonhos?

Esta é a pergunta que sinto ecoar

nesses dias de sol, antes de fechar os olhos

 

O que fizeste aos teus sonhos?

Não sei, será que esperam por mim?

... será que ainda posso ousar sonhar?

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:35

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Sexta-feira, 26.06.09

 

 

Sonhos perdidos lá para trás

sei um pouco disso

o sabor a sal que nos deixam

 

Sonhos perdidos, não desfeitos

porque no fundo

ainda esperamos encontrá-los de novo

 

Um percurso de uma vida

não é assim tão linear

dá voltas e reviravoltas

 

e um dia, sem aviso prévio

porque nunca é com aviso prévio

os sonhos perdidos surgem-nos ali

 

Claro que só os vemos

porque secretamente os esperámos

e porque são perdidos, não desfeitos

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:43

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Terça-feira, 26.05.09

 

 

A vida como estilhaços

que ainda ando a recolher

nos meus sonhos

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:02

Do Baú:

Quarta-feira, 29.04.09

 

 

Lembro-me das palavras ditas

e do mar manso e prateado

 

As palavras ligam-se às coisas

e ficam a marcar sonhos

 

 

  


 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:05

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Terça-feira, 29.07.08

 

Pudemos construir e reconstruir

mas preferimos deixar tudo em ruínas

por alguma razão oculta

 

Um verão interminável

que prolongámos até onde pudemos

mesmo na maior mentira

 

Um amor antigo

agora morto como todas as coisas

que não tiveram existência propriamente dita

 

Os sonhos perdidos

primeiro porque não acreditámos neles

 

Depois porque se acreditássemos

teríamos de partir e abandonar tudo

 

E para isso não tivemos coragem




 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:55








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